Quando consultar dermatologistas?

Desde o começo da Bonita de Pele você já deve ter lido e ouvido falar umas trocentas vezes a frase “Consulte sempre dermatologistas”, e nesse momento que lançamos caixas cheias de ácidos isso se faz mais que necessário.

Aprendi a automaticamente lembrar isso toda hora, e aí dia desses me perguntei: peraí, mas esse sempre é quando?

Quando é que realmente devo marcar dermatologista? Preciso ter um problema de pele pra resolver ir? Preciso levar meus produtos pra ela ver o que tô usando? Preciso mostrar o dedão do pé? Como vivem e por onde andam as consultas que tanto falamos?

Vamos agora descobrir em uma matéria investigativa com minha dermatologista e amiga, Daniela Pimentel.

Oi Dani, tudo bem? Reparei que tô sempre no seu consultório pesando na sua, mas me fala a real, segundo os dermatologistas, quantas vezes por ano eu devo visitar dermatologistas?

Isso depende de vááários fatores. Se a pessoa tá apenas fazendo um acompanhamento de prevenção, mas não tem nenhuma patologia ou doença de pele, só quer cuidar melhor da pele dela, o ideal é ir de duas a três vezes por ano. Também depende da época do ano, do estilo de vida da paciente, porque a gente vai ajustando o skincare pra adequar melhor. A paciente que faz atividade física ou que trabalha no sol, por exemplo, nos meses mais ensolarados a gente tem que tomar cuidado com alguns tipos de ácido. Já a pessoa que fica mais em ambientes fechados e não pratica nenhum esporte ao ar livre, ou não gosta de se expor ao sol, às vezes dá pra deixar uns ácidos mais “fortinhos” mesmo nos meses do verão. Então tudo depende do estilo de vida de cada paciente, mas duas a três vezes por ano é bem legal.

Mas e se a paciente precisa de um tratamento contínuo, tipo pra acne, rosácea, melasma, quantas vezes deve ir?

Vai depender da intensidade da doença de pele, porque tem períodos que elas ficam mais intensas. E nesses períodos chego até a ver a paciente mensalmente, porque tem lesões mais inflamadas ou precisa entrar com medicação mais forte. Quando sai da crise, podemos espaçar mais as visitas, indo pra três meses ou seis meses, mas sempre avisando a paciente que qualquer piora nesse meio tempo é pra me avisar.

Se eu sou uma pessoa louca por skincare e vivo comprando produtos pra testar, devo levar todos eles pra você ver? Devo levar uma foto ou lista do que tô usando?

Hahaha, não sei se conheço alguém assim, hein? Deve sim levar! Acho importante pra gente dar uma olhada. Vamos lembrar que nem todos os produtos têm evidência científica, que é o que nós médicos estamos atentos na hora de indicar. A grande parte dos laboratórios que nos visitam trazem esses estudos, então claro que a gente tem mais confiança neles, por isso na maioria das vezes recomendamos os produtos que conhecemos os reais benefícios através de estudos.

O que você fala pras pacientes doidas como eu, que querem ficar cada hora testando uma coisa? Como fazer isso sem meter o loko com a própria pele?

Se for uma paciente que não tem a pele sensível e nenhuma patologia, não é tão ruim testar várias coisas. Mas se ela tem doença de pele ou pele sensível, pode atrapalhar. Então explico que a gente deve ir pro caminho mais minimalista, com princípios ativos mais indicados pra aquele tipo de pele. Fora que pra gente ter os benefícios do produto, temos que usar por um tempo maior, o ideal é usar de dois a três meses, ou até mais que isso. Usar cada semana uma coisa faz com que você não tenha os benefícios reais do produto.

A minha recomendação pra quem tem a pele sensível, é que não fique usando tudo que vê por aí. Sei que dá vontade, mas hoje temos diversos trabalhos estudando a pele sensível e mostrando que o excesso de produtos, mesmo que de produtos muito bons, podem piorar a sensibilidade. Esse é um assunto que amo falar – e podemos falar mais sobre ele depois – porque existe uma parcela de pacientes que não tem doenças dermatológicas, mas tem a pele muito sensível, e esses trabalhos mostram que a principal causa dessa sensibilidade é o excesso de cosméticos. E tem estudos que dizem que até 40% da população pode ter pele sensível.

E pra se preparar pra uma consulta, o que devo fazer? Devo ir depilada? Com calcinha bege?

Nós gostamos de avaliar o corpo inteiro na primeira consulta, porque a pele é o maior órgão do nosso corpo e é responsável pela comunicação do nosso meio interno com externo. Então sempre deve ser checada a pele inteira, porque estamos sempre atentas com pintas e manchas, que podem ser sinal de câncer de pele. Não precisa ir depilada e nem combinar calcinha e sutiã, mas a gente quer mesmo ver pinta, sola do pé, todas as áreas do corpo. É só ir preparada pra ser avaliada e pra tirar a roupa na frente da médica(o).

Sempre que temos uma consulta real oficial eu te faço uma lista de problemas que tenho da cabeça aos pés, mas isso é costume de quem tem dermatite. Fazer uma lista de “problemas” ajuda na hora de falar com a dermato?

Sim! Leva sua lista com todas as queixas de pele, cabelo e unha, leva suas dúvidas também escritas pra não esquecer nada, porque é muita coisa que a gente tem que conversar. Se você tiver alguma queixa relacionada a unha, o ideal é ir sem esmalte pra que a gente possa avaliar melhor.

Muitas pessoas esquecem que consulta com dermato não é só uma coisa estética, né?

A consulta com dermatologista vai muito além do skincare, porque nós cuidamos da pele, cabelo e unhas, e tudo isso deve ser abordado. Principalmente as questões do câncer de pele, que é o câncer mais comum, e podemos fazer diagnóstico precoce e ter resultados incríveis de tratamento. Mas existem muitos pacientes com diagnósticos tardios, porque não foram avaliados ou não tiveram oportunidade de se consultar com dermatologistas.

Por que é perigoso a pessoa passar um ácido na cara sem falar com a dermato?

Temos vários tipos de ácidos e cada um com sua concentração. A gente já prevê que eles irritem a pele, por isso orientamos cada paciente sobre como usar esse ácido e minimizar os efeitos colaterais, que podem ser vermelhidão, irritação, descamação. Pra cada paciente a gente monta uma estratégia diferente, como noites alternadas, hidratação antes ou depois, a gente vai adequando ao tipo de pele da pessoa. Você também pode usar os ácidos de maneira incorreta ou combinar com produtos que atrapalham ele, e ter mais efeitos colaterais. Por isso precisamos alinhar o higienizador, o hidratante e o ácido, pra que o paciente consiga usar tudo, combinando eles, e tendo os melhores benefícios.

Mas quais produtos eu posso testar de boas sem ficar te enchendo?

Essa pergunta é muito ampla. Tudo depende do seu tipo de pele. Você que tem a pele sensível, até um higienizador com muitos princípios ativos secativos já pode te irritar. Pra uma pessoa com acne, um hidratante que não seja ideal já pode piorar a acne. Cada tipo de pele tem suas restrições, lembrando que a pele sensível é a que tem mais restrições.

Nos últimos tempos aumentou muito o número de pacientes que chegam com pele irritada por testar muitos produtos. Semanalmente tenho uma ou mais pacientes, que o motivo da consulta é a pele irritada por usar várias coisas que não eram recomendadas pro tipo de pele delas.

O que suas pacientes fazem que te deixa louca? Pode falar mal de mim se quiser hahaha

Sair daquilo que eu orientei e começar a testar muitas coisas junto, porque na maioria das vezes não dá certo. Outra coisa que me corta o coração é quando as minhas pacientes torram no sol, aí eu quero chorar! Hoje com todo conhecimento que a gente tem sobre os malefícios do sol, como o câncer de pele, as pacientes mandam fotos torradas com a marca vermelha em volta do biquíni, eu fico super triste.

E o que suas pacientes fazem que te dá orgulho e você vê que elas são aplicadas?

Quando elas fazem a lição de casa direitinho, usam tudo como eu orientei, porque aí conseguimos ver os benefícios dos produtos. Tenho pacientes que fazem até tabelinha de uso dos produtos.

Sigam a Dani no instagram que ela sempre posta muita info de cuidados com a pele! É @danielapimentel <3


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