Esfoliar ou não esfoliar, eis a questão

Foto: Jazzie Moyssiadis

A esfoliação é uma das etapas essenciais do skincare? Ela é boa para todo mundo? Ou em alguns casos, é melhor pular esse passo? Há muitas questões envolvendo esse ritual, incluindo tipos de esfoliacão, frequência, ressalvas e, claro, benefícios também. E aí seguimos para a primeira revelação. “Esfoliar não é um passo obrigatório na rotina, como lavar o rosto e usar filtro solar: é um incremento para potencializar resultados”, diz Flavia Chehin, dermatologista de São Paulo, membro da SBD e da Academia Americana de Dermatologia. “A esfoliação pode trazer vários benefícios, como renovar e iluminar a pele e aumentar a absorção de ativos. Mas também é preciso ter bom senso e autoconhecimento da própria pele: as muito sensíveis podem não tolerar a esfoliação”, alerta.

Se a pele mostrar sinal de hipersensibilidade, como ardor ao usar um creme para o rosto após a esfoliação, é sinal de que você passou do ponto. Suspender o uso do produto ou diminuir a frequência da esfoliação é o indicado nesses casos. A Academia Americana de Dermatologistas alerta, no site da instituição, que pessoas com fototipo mais alto e que costumam manchar a pele com mais facilidade, depois de machucados, queimaduras, picadas de insetos ou acne, devem tomar cuidado especial com esfoliações mais agressivas, porque elas podem manchar mais a pele. O ideal é que a aplicação do produto ou do acessório (no caso das escovas esfoliantes) seja feito com movimentos circulares e sem muita pressão.

Feita da maneira correta, porém, a esfoliação ajuda a fazer uma limpeza mais profunda, deixa a textura da pele mais lisa, diminui o aparecimento dos cravos e facilita a penetração dos produtos de skincare que vamos usar depois. E tem mais. “A esfoliação auxilia na estimulação da drenagem linfática da pele, melhorando a oxigenação e a liberação de toxinas”, diz Jocelyn Petroni, expert em tratamentos para a pele em entrevista ao site de beleza Byrdie.

Segundo as médicas entrevistadas pela Bonita de Pele, o benefício trazido pela esfoliação vai depender da pele de cada um. As peles sensíveis, com rosácea ou algum tipo de dermatite são as que não toleram tão bem esse tipo de procedimento. Já as oleosas, com maior número de cravos e poros abertos, costumam necessitar mais dessa etapa, diz Flavia. “Algumas peles são mais resistentes e toleram a esfoliação diária e se beneficiam desse processo”, acredita. A esfoliação diária, porém, está longe de ser um consenso entre os especialistas. Ana Beatriz Albeny, dermatologista especialista em dermatologia oncológica, não recomenda esfoliar o rosto diariamente. Para ela, entre uma, no máximo duas vezes na semana é o suficiente. No caso de gadgets de limpeza, uma vez na semana, para ela, é o limite. “Esfoliar muito a pele pode retirar a barreira de proteção cutânea, deixando-a mais sensível e mais propensa a ter infecções bacterianas e até fúngicas”, diz. Para o corpo, Flavia indicada esfoliar no máximo duas vezes na semana, lembrando sempre de caprichar na hidratação após a esfoliação, para recuperar a barreira cutânea eventualmente danificada.

LEIA MAIS: ESQUECIDA, BARREIRA CUTÂNEA GARANTE HIDRATAÇÃO, EVITA ALERGIAS E FAZ SKINCARE FUNCIONAR

Esfoliação física, química ou enzimática?

Elas têm a mesma função: remover as células mortas e renovar a pele, mas agem de maneiras distintas para alcançar este objetivo. Os esfoliantes físicos são produtos que contêm pequenas partículas ou qualquer tipo de superfície texturizada, como uma toalha É o tipo de esfoliação que todo mundo conhece e que tem versões caseiras e eficientes como com grão de açúcar e até com canela em pó. A intensidade vai depender do tamanho da partícula e da intensidade com que se aplica. Já a química faz o trabalho sozinha. “Ela é feita com ativos que estimulam a renovação celular, como ácidos. Não necessariamente é preciso esfregar o rosto”, enfatiza Beatriz. Alguns exemplos de ativos que promovem esfoliação química são  os alfa-hidroxiácidos, como por exemplo o ácido glicólico e o lático. E tem também os beta-hidroxiácidos, moléculas solúveis em óleo. Já a esfoliação enzimática penetra na camada superficial da pele por meio de enzinas produzidas pela natureza, como a papaína do mamão e a bromélia do abacaxi. O nível de esfoliação vai depender do tamanho do grânulo, da quantidade deles no produto e da fricção que você faz. Como falamos no início do texto, sempre em movimentos circulares e focando nas áreas mais oleosas, onde há maior número de cravos, como a região do nariz, queijo e testa. “São áreas que costumam ser mais resistentes”, completa Flavia.


1 comment

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.