O futuro é clean beauty? E a beleza orgânica, vegana e natural, como ficam?

Foto: Jazzie Moyssiadis

A pandemia acelerou um processo que já vinha acontecendo: o da beleza sustentável. Nela, há muitas estrelas: os cosméticos orgânicos, os veganos, os naturais. Nos últimos anos, surgiu ainda uma nova proposta, a do clean beauty, ou a beleza limpa. Com ativos naturais, sintéticos ou uma combinação de ambos, ela quer garantir uma abordagem responsável, com produtos que considera serem mais seguros para a pele e com menos impacto negativo para o meio ambiente. Será esse o futuro da beleza pós-pandêmica? 

Nos Estados Unidos, a empresa de pesquisas Power Reviews fez um estudo sobre o futuro do consumo de beleza depois da Covid-19 e chegou ao seguinte número: 76% dos mais de 10 mil entrevistados disseram que querem comprar produtos produzidos de maneira sustentável. Na geração Z – até 25 anos – essa porcentagem sobe para incríveis 86%. Nos millenials, cuja geração mais velha hoje está fazendo 40 anos (não são mais os jovenzitos!), o índice é de 80%. “O que era uma tendência, de falar de um universo natural, vegano e orgânico, foi consolidado na pandemia. As pessoas criaram consciência de consumo”, acredita Patricia Lima, fundadora da Simple Organic, marca de beleza orgânica. A trajetória da própria empresa é um bom exemplo disso: criada há três anos, foi comprada, em plena pandemia, pela empresa farmacêutica Hypera Pharma, no fim do ano passado. 

A guinada é impressionante, mas ainda há muito o que desvendar e entender neste mercado gigante que a gente costuma identificar como uma coisa só. E não é. No princípio, tudo o que tinha alguma planta envolvida era chamado de cosmético natural. O tempo passou e, com ele, as diferenças entre as vertentes da beleza baseada na natureza foram surgindo. Se os veganos priorizam a defesa aos animais, sem teste ou uso de qualquer ingrediente dessa origem na fórmula, o foco dos orgânicos é o rastreamento do processo com base na sustentabilidade, para garantir o não uso de agrotóxicos e proteção ao meio ambiente. Os orgânicos não testam em animais, mas podem usar ativos vindos deles. Já os veganos podem ser naturais, mas também sintéticos  (leia no final desse texto as definições sobre cada um). “No Brasil, ainda não existe uma regulamentação para cosméticos naturais. As definições foram ficando sólidas e sendo validadas por prática de mercado e também pelos parâmetros criados por algumas instituições, como IBD, Natrue e Ecocert“, conta Marcela Rodrigues, jornalista especializada em consumo consciente e beleza limpa e criadora da plataforma A Naturalíssima

Surgido há alguns anos nos Estados Unidos, o termo clean beauty é o mais recente dos movimentos dentro da beleza com causa, vindo do movimento clean na comida, que busca alimentos sem agrotóxicos e pesticidas, e que causem menos impacto negativo no meio ambiente. Nos cosméticos, o conceito é parecido. “Hoje, marcas já têm nascido se definindo nesta categoria. Em geral, possuem sim insumos naturais, têm uma atuação de mercado ética, mas têm  boa parte das fórmulas com ingredientes sintéticos”, define Marcela. Patricia Silveira, do Instagram @dermagreen, dermatologista especializada em beleza natural e clean, acredita que essa seja a tendência daqui por diante. “É o caminho mais provável … aliar indústria e tecnologia com alguns ingredientes naturais em fórmulas toxic-free.”

Naturais, sintéticos, orgânicos, veganos, clean ou convencionais, as especialistas afirmam que é preciso ficar ligada na composição das fórmulas em todos os casos. “Hoje, todo mundo quer ter sua linha de skincare natural. Virou status para os abastados e as famosas. É um problema, porque às vezes você terceiriza e não sabe como foi feito aquele produto. Tem que ficar atenta aos nomezinhos chatinhos de ler e pronunciar no rótulo dos cosméticos. Há vários aplicativos no telefone que você baixa para pesquisar os ingredientes”, diz a dermatologista. Anota os recomendados por ela: EWG Health Living, Ingred e Trove Skin. “Sugiro consultar a limpp.com.vc, primeira ferramenta do Brasil para tradução científica dos rótulos dos cosméticos (é uma plataforma independente e da qual sou co-fundadora!)”, completa a criadora da Naturalíssima, que faz uma ressalva a respeito dos naturais e sintéticos.  “Uma das grandes confusões que ainda existem é achar que se tem sintético, não pode usar. Tudo é química, até um óleo essencial tem química. Um produto 100% natural de alta performance vai ter química. O problema não é o sintético. A Biossance é um bom exemplo de case dentro do clean beauty. Ela produz o esqualano, que originalmente vem de um tubarão super raro, de maneira sintética (a partir da cana-de-açúcar), de um jeito que é muito mais eficaz e sustentável.” No fim, o mais importante, é ter propósito, e que ele persiga o respeito às pessoas e ao mundo. 

A seguir, veja as definições de beleza orgânica, vegana, clean e natural, de acordo com A Naturalíssima, Dermagreen, com consulta aos sites do IBD e Ecocert (os dois últimos, nos casos de orgânicos, naturais e veganos). 

 

Cosméticos orgânicos
Todos os ingredientes da fórmula são naturais e pelo menos 95% deles precisam ter certificação das etapas do seu processo, sem o uso de agrotóxicos e aditivos químicos. Isso inclui desde a colheita da planta até o envase do produto final. Um cosmético orgânico não faz teste em animais, mas pode ter insumos de origem animal.

 

Cosméticos naturais
Não têm regulamentação por lei, mas o mercado estabeleceu que devem possuir 95% de ingredientes naturais e 5% de ativos que podem ser sintéticos ou artificiais, com exceção de uma lista de substâncias não permitidas nessa categoria de produtos. Não testam em animais, mas podem ter insumos de origem animal. Não há obrigatoriedade de rastreamento da procedência dos ativos.

 

Cosméticos veganos
São todos aqueles que não são testados em animais nem possuem qualquer ingrediente de origem animal. Podem ser naturais, orgânicos, naturais e sintéticos, ou totalmente sintéticos. Não há obrigatoriedade de rastreamento da procedência dos ativos que não são de origem animal.

 

Clean beauty
É um termo novo e, assim como os produtos naturais, não tem uma regulamentação oficial. São definidos como clean os cosméticos que utilizam ativos naturais ou sintéticos considerados mais seguros para a saúde das pessoas e com menos impacto negativo para o meio ambiente. Para isso, não utilizam ativos que, segundo especialistas da beleza natural e orgânica, são prejudiciais para a saúde, caso de conservantes como os parabenos e o triclosan.

 

Com ingredientes naturais ou orgânicos
Com ingredientes naturais ou orgânicos Cosméticos que tenham entre 70% e 94% de ativos orgânicos e que sejam certificados podem destacar na embalagem: “Produto com ingredientes orgânicos”. O mesmo vale para os naturais.


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