Maskne: tudo sobre a acne causada – ou não – pelo uso de máscara contra a Covid-19

Foto: Jazzie Moyssiadis

Vale começar essa conversa sobre acne e máscara de proteção contra o coronavírus com uma ponderação da dermatologista Flávia Ravelli: “O que é mais relevante? Se proteger do Covid ou ter uma acne que a gente vai conseguir tratar depois?”. Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e professora de dermatologia na Universidade de Santo Amaro (SP), ela convida a pensar sobre o que é prioridade neste momento. Posto isso, ter espinhas ao usar máscara de proteção pode acontecer, e para entender melhor esse fenômeno, fomos investigar este novo conceito chamado de Maskne, ou seja, junção das palavras “máscara” e “acne”. Ele apareceu pouco tempo depois do início da pandemia e do consequente uso de máscaras de proteção contra o vírus, e se intensificou conforme foi descoberto que o principal meio de transmissão do Covid não é o contato com objetos contaminados, mas sim os aerossóis, micropartículas que carregam o vírus e podem ficar suspensas no ar por horas. Mais horas usando máscaras significam mais  abafamento na região inferior do rosto, como o queixo, mandíbula e bochecha. “O mecanismo principal da maskne é a oclusão, impedindo a ventilação adequada e a secreção sebácea normal, muito semelhante a chama de acne mecânica, ou seja, causada pelo atrito do acessório no rosto”, explica Ravelli.

A ideia de que a máscara de proteção causa acne, porém, não é uma unanimidade entre os médicos. O dermatologista  Fábio Rebucci, de São Paulo, lembra que o termo “maskne” não foi oficialmente aceito pela comunidade como uma variante oficial de acne. “Médicos, sobretudo os cirurgiões, sempre usaram a máscara por muitas horas e não há registro de aumento de acne neles. Ainda não se tem certeza se esse aumento da acne durante a pandemia é fruto do abafamento da máscara ou do estresse, já que quando estamos estressados produzimos mais cortisol, um hormônio que também causa acne”, afirma. 

Outro fator que também pode contribuir para o surgimento dessa inflamação é o uso de cremes hidratantes e filtro solar não adequados, pois quando abafados pela umidade da boca e da respiração, aumentam essa umidade junto com os produtos, levando ao surgimento da acne.

O timing do skincare

Para prevenir o surgimento dessa inflamação, os médicos recomendam intensificar a rotina de skincare nos períodos em que o rosto está descoberto, e utilizar o mínimo de produtos possíveis durante o uso da máscara. É recomendado lavar bem o rosto com um sabonete específico para o seu tipo de pele, usar uma solução micelar para remover bem a sujeira da pele, fazer uma esfoliação suave para estimular a renovação celular e mover as células mortas, e aplicar um gel à base de ácido salicílico ou azeláico. “Nessa área do terço inferior da face, é recomendado escolher cremes mais secos, com menos teor de hidratação, pois a umidade que vem da boca e do nariz se junta com a hidratação do creme, tornando a pele mais oleosa e propiciando a acne”, diz Rebucci. Ao utilizar o protetor solar, o médico recomenda aplicar na maçã do rosto, têmporas e testa. “Não se preocupe em usar na área coberta, já que a própria máscara faz essa proteção física na parte inferior do rosto.”

Maquiagem, açúcar e ácidos fortes

Evitar usar maquiagem na região da máscara, substituir ácidos fortes como os retinóicos por versões ou tipos mais suaves para não sensibilizar o rosto, e diminuir alimentos ricos em açúcar, que podem aumentar a produção de sebo e o processo inflamatório da acne, também são medidas para prevenir o surgimento das espinhas, segundo os dois médicos. “Também é interessante fazer uma limpeza de pele se possível, para que a gente consiga remover os cravos que ficam na pele”, recomenda Ravelli.

Para quem precisa trabalhar fora e usa máscara por muitas horas, os cuidados com a pele precisam ser redobrados. É importante trocar a máscara sempre que ficar úmida, higienizar bem o rosto, e trocar a maquiagem por um hidratante leve na região coberta. 

Tratamentos

Segundo a dermatologista Ana Carina Junqueira, de São Paulo, o tratamento da maskne é bem semelhante ao dos outros tipos de acne, mas com algumas ressalvas. “Utilize os ácidos retinóicos pontualmente nas lesões de acne, não em toda a pele. É preciso lavar o rosto com sabonetes à base de ácido glicólico e ácido salicílico uma a duas vezes ao dia. E não deixe de usar hidratantes (não comedogênicos, é claro) em todo o rosto, pois mesmo as peles com tendência a oleosidade e a acne também perdem água e desidratam, ficando mais frágeis e suscetíveis a inflamações e infecções.” A dermato aconselha associar, quando indicado, antibióticos tópicos e antisépticos como o peróxido de benzoíla. “Importante frisar que o tratamento ideal vai depender do tipo de pele de cada um e das condições em que essa pele do rosto se encontra, devendo ser avaliada por um dermatologista sempre”, orienta.

A máscara N95/PFF2 

A N95 ou PFF2 (a primeira é a denominação americana, a segunda, a brasileira, mas é a mesma coisa) é uma máscara cirúrgica com mais de 90% proteção para a barragem dos vírus presentes em aerossóis. No início do ano, países como França e Alemanha proibiram o uso de máscaras que não fossem as cirúrgicas, tipo N95, em locais fechados como transportes públicos. No Brasil, não é lei, mas se recomenda usar esse tipo de proteção em locais fechados, com pouca circulação de ar, onde o vírus pode se manter mais tempo suspenso (nessa matéria da Veja dá para entender melhor a questão). “Por ser usada mais de uma vez ela fica suja, então acaba predispondo mais o surgimento da maskne. Mas é uma questão de pesar na balança, né? O que é mais relevante? Se proteger do Covid ou ter uma acne que a gente vai conseguir tratar depois? Precisamos proteger a população!  Não importa se a máscara vai predispor à acne, temos sempre que incentivar o uso da melhor máscara. Intensificar a rotina de cuidados em casa, e, depois que passar – pois sabemos que tudo vai passar –, faremos um tratamento para melhorar muito a acne dessa região”, aconselha Ravelli, complementando o raciocínio que abriu esse texto, e uma boa lembrança parqueia hora em que a gente começa a se desesperar com a pele. 

No Instagram “Qual é a Máscara”? você encontra várias dicas sobre máscaras de proteção contra a COVID-19.

 


2 comments

  • Eu já tinha acne persistente, depois da COVID as masknes aumentaram muito a incidência de espinhas no meu rosto. E eu confesso que tá tudo bem! Continuo tratando diariamente, como sempre fiz! O mais importante agora é se proteger dessa doença horrível! Usem Máscara! Acne aparece e desaparece, a gente trata! Já a COVID, mata!

  • Eu quase não tive esse problema ano passado, mas quando comecei a usar a PFF2 esse ano, o meu nariz, onde a máscara apoia, brotou umas espinhas vermelhas lindas. Fazer o que, antes umas espinhas, do que Covid na vida.

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